Resenha: Corazón – Santana

Breve histórico: Santana é a banda do guitarrista mexicano naturalizado estadunidense Carlos Santana. Na ativa desde o final dos anos 60, o grupo começou a carreira com um trabalho de blues misturado com música latina, para nos anos 90 começar a investir em interessantes e bem-sucedidas parcerias com artistas variadíssimos que deram ao músico altas posições em paradas, prêmios Grammy e muita difusão em rádios.

Reprodução da capa do álbum (© RCA/Sony Latin Iberia)

Reprodução da capa do álbum (© RCA/Sony Latin Iberia)

Após quebrar esta série de discos cheios de parcerias em 2012 com Shape Shifter, álbum quase totalmente instrumental e de volta às raízes, o distinto guitarrista mostrou-se disposto a voltar a investir no lado comercial, o que, no caso dele, é quase sempre um tiro certo. E lança, assim, Corazón, álbum recheado de parcerias e regravações de outros artistas, com uma música melhor que a outra.

Algumas faixas são especiais para nós, brasileiros: a abertura, por exemplo, é um cover de “Saideira”, sucesso do Skank, cantada pelo próprio Samuel Rosa, guitarrista e vocalista do quarteto mineiro. A edição de luxo do álbum traz uma versão com letras em espanhol, cantadas também por Samuel. O encerramento “I See Your Face”, um breve solo de violão, é também um cover de um brasileiro, no caso, do guitarrista Bola Sete.

Até a renomada cantora cubano-estadunidense Gloria Estefan se arrisca na lusofonia na faixa “Beijo de Longe”, com um carregado sotaque mais próximo do português que do brasileiro. Algumas edições do álbum vêm ainda com a versão original em espanhol, tocada ao vivo algumas vezes recentemente.

Além dessas, temos outras pérolas, como “Mal Bicho”, um cover dos nosso hermanos argentinos Los Fabulosos Cadillacs com a participação dos próprios. Esta, bem como “Margarita” e “Yo Soy La Luz” (esta última composta pelo próprio Santana) são exemplos de trabalhos que remetem a sons latinos que tanto ganharam espaço nos trabalhos recentes do guitarrista.

As outras faixas variam bastante em termos de atmosfera. “La Flaca”, mais um cover, traz Santana aliado a Juanes, ex-vocalista/guitarrista do grupo colombiano de thrash metal Ekhymosis. Em sua carreira solo, o cantor quebrou o recorde de prêmios Grammy Latino conquistados por um só artista (20, no total). Aqui, ele participa de uma regravação dos espanhóis Jarabe de Palo. Outra faixa com participação de um cantor com coleções de prêmios é “Indy”, leve e sem percussão, que nos traz a voz do estadunidense descendente de mexicanos Miguel.

Vale citar ainda a versão retrabalhada de “Oye Como Va”, que pode fazer alguns fãs mais ortodoxos levantarem uma sobrancelha devido à presença do rapper porto-riquenho Pitbull. Fato é que esta nova interpretação, intitulada “Oye 2014”, moderniza o hit ao mesmo tempo em que respeita sua essência.

E, já que foram citadas quase todas as faixas, porque não mencionar as restantes: a romântica “Amor Correspondido”, com Diego Torres, acompanhada de sua respectiva versão anglófona “Feel It Coming Back”; “Una Noche en Nápoles”, cover de uma música originalmente cantada em italiano no grupo Pink Martini e, muito convenientemente, marcada por um belo trabalho de Santana no violão de doze cordas que realmente lembra os violões clássicos do país europeu; e “Iron Lion Zion”, cover de Bob Marley com a participação de seu filho Ziggy e o grupo afro-cubano ChocQuibTown.

É fácil perceber que o trabalho todo tem um clima positivo, a começar pela capa e pelo encarte, cheios de cores e imagens caricatas que lembram a conhecida alegria da arte mexicana.

Nota = 8,5. Num disco em que o Carlos Santana volta a usar sua bem sucedida fórmula que combina parcerias, sons latinos e seus inconfundíveis licks enfeitando as músicas do começo ao fim, o resultado final é gratificante para quem aprecia uma boa música latina e um bom trabalho na guitarra. Não é necessariamente um disco voltado para o rock, tampouco para o blues característico do grupo em suas origens. É apenas um trabalho da mais bem produzida e marcante música latina, com a adição da magia das seis cordas do icônico guitarrista.

Abaixo, o vídeo de “Saidera” (versão em espanhol):

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