Resenha: Shine – Anette Olzon

Breve histórico: Mais conhecida como ex-vocalista do Nightwish, a cantora sueca Anette Olzon trouxe uma mudança brusca na parte vocal da banda, uma vez que sua antecessora, Tarja Turunen, era uma soprano, e ela adota um tom de voz mais próximo do chamado mezzo-soprano. Como era previsto, os fãs da banda se dividiram em Anettetes e Tarjetes, uma briga que agora crescerá com a chegada dos Floorjetes. “-etes” à parte, fato é que Anette começa agora a fase solo de sua carreira, seguindo os passos da antiga ocupante de seu posto na banda finlandesa.

Reprodução da capa do álbum (© earMUSIC)

Reprodução da capa do álbum (© earMUSIC)

Após ser carinhosamente chutada do Nightwish, Anette não perdeu tempo e lançou seu primeiro álbum solo. O trabalho já era uma intenção desde a turnê do Dark Passion Play, é verdade. Versões ao vivo de algumas das faixas do disco já haviam sido upadas há um bom tempo no YouTube. Foi só na época do Imaginaerum, contudo, que ela começou a dar forma ao projeto. Sua saída do então quinteto sinfônico a deixou livre para focar totalmente no álbum, que veio a se chamar Shine.

Para começo de conversa, esqueça que ela já cantou no Nightwish. Diferente de Tarja, que manteve os elementos de metal sinfônico em sua música, Anette seguiu um caminho quase totalmente diferente. As guitarras, por exemplo, não estão presentes em todas as faixas do disco, e muitas vezes ficam sufocadas pelos outros instrumentos acústicos e os teclados.

A primeira metade do disco é sonolenta, a não ser que você se identifique com este tipo de música – é justo prever que muitos fãs do Nightwish não apreciarão isto. A coisa melhora na segunda metade, e chega ao ápice no final, com duas músicas de tirar o fôlego, daquelas que fazem o corpo inteiro se arrepiar.

A faixa-título e os singles “Lies” e “Falling” são as mais “pesadas” do disco, mesmo que evidentemente muito mais leves que trabalhos típicos do Nightwish.

De resto, a música gira em torno de combinações de cordas, percussão leve e a voz da cantora, e vez ou outra com guitarras e bateria. “Floating”, por exemplo, traz um riff nos teclados acompanhado de cordas que remete a música medieval – um dos trabalhos mais interessantes do disco. “One Million Faces” e “Watching Me from Afar” são belíssimas baladas que poderiam servir de encerramento para um filme.

A música apresentada por Anette tem elementos de artistas que vão de Within Temptation a Annie Lennox, Enya e Kate Bush. O resultado é um disco que comprova a competência e o talento de uma cantora que teve relativamente pouco tempo de estrada com o Nightwish e que tinha de ajustar sua performance aos desejos do líder e tecladista Tuomas Holopainen – não que ele não tenha aproveitado adequadamente seu talento.

Nota = 8,0. Boa estreia que ganha pontos pela direção musical bastante distante daquilo que a cantora fez em seu período de maior exposição. Causará estranhamento a muitos e precisa de várias audições para uma digestão apropriada, mas a compra do álbum é um investimento que compensa. O que se ouve aqui é uma cantora bastante à vontade em seu próprio território.

Abaixo, o vídeo de “Lies”:

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