Resenha: Babymetal – Babymetal

Breve histórico: sem dúvidas, um dos grupos mais improváveis que você vai conhecer em sua vida. Misturando power/death metal com música pop japonesa (J-Pop), mais especificamente a música dos típicos idol groups nipônicos, o Babymetal é um trio formado por garotas de seus 14 e 16 anos. Contando com uma banda de apoio de bastante peso, elas vêm conquistando fãs e shows lotados nos últimos meses. Parte disso se deve, é claro, ao fato de as integrantes já serem experientes no ramo da música e estarem sob as asas de uma grande agência de talentos. Mas é inegável que a qualidade e a excentricidade do som também ajudaram o trio a ascender rapidamente.

Reprodução da capa do álbum (© Toy's Factory)

Reprodução da capa do álbum (© Toy’s Factory)

Após quase dois anos com vários singles lançados, o trio Babymetal conquistou seu espaço e decidiu que era hora de lançar um álbum. Infelizmente para os fãs, o trabalho não traz quase nenhuma novidade. À exceção de três faixas inéditas, o disco é composto por singles e lados-B já lançados anteriormente. De qualquer forma, é importante do ponto de vista do marketing reunir os trabalhos todos em um único lançamento em vez de ficar só lançando músicas de vez em quando.

Poucos dias atrás, este que vos escreve resenhou o álbum mais recente do van Canto e teve o mesmo sentimento: “muitos vão xingar sem ouvir, porque foge do óbvio”. É fato que as Babymetal tiveram também uma recepção fria por parte de fãs que veem o metal como uma raça pura que não deve sofrer miscigenações. E o lançamento deste álbum não vai ajudar nada neste sentido. Ele existe por pura questão mercadológica, uma vez que quase todas as faixas já foram lançadas. Por que resenhar isto então? Porque it’s the music, stupid.

O álbum abre com “Babymetal Death” – introdução quase perfeita, não fosse pelo fato de o diferencial do grupo – o seu lado J-pop – estar quase totalmente ausente. As coisas ficam mais genuínas na sequência “Megitsune”, uma das melhores do grupo não só pela qualidade em si mas também por ser um perfeito cartão de visitas, onde os elementos de metal e pop estão igualmente divididos.

Em “Do・Ki・Do・Ki☆Morning”, ao contrário da abertura, a banda não se preocupou muito em mostrar seu lado metal, e a faixa acaba sendo um J-pop radiofônico como qualquer outro, com a adição de uns riffs mais pesados aqui e ali, só para justificar o nome do disco e do grupo. Já em “Ii ne!”, que nos primeiros dois minutos parecia seguir o mesmo caminho, o grupo faz uma espécie de “death breakdown” bem no estilo I See Stars que contrabalanceia os gêneros. Tão aí duas faixas perfeitas para abrir um anime qualquer que ouse abraçar riffs de metal. Outra faixa, aliás, que traz esses mesmos toques de I See Stars é “U.ki.U.ki★Midnight”, que também seria um ótimo cartão de visitas para o grupo.

“Benitsuki -Akatsuki-” poderia ser facilmente confundida com um cover de alguma música desconhecida de Helloween, Edguy ou Stratovarius. É praticamente uma música de power metal qualquer, mas na voz de uma japonesa de 15 anos.

“Onedari Daisakusen” é um ponto alto do disco com riffs meio progressivos aliados a sons típicos do Japão. “Catch Me If You Can” não traz os mesmos sons japoneses, mas o jogo de vocais, guturais e guitarras lembra algumas das melhores bandas daquele país, como Dir en grey e o finado guitarrista hide.

Fechando o disco, “Headbangeeeeerrrrr!!!!!” (sim, com todos os “es”, “erres” e pontos de exclamação), que poderia ser uma música metalinguística, mas na verdade parece falar do momento em que um garota faz 15 anos; e “Ijime, Dame, Zettai”, outra que poderia ser confundida com um cover de qualquer grande banda de power metal, e cuja letra fala de bullying. A mensagem é clichê e genérica, mas seria uma maneira interessante – e musicalmente positiva – de tratar do assunto em escolas. Apenas uma sugestão.

Quanto às três inéditas, temos “Gimme Choko!!”, uma das mais infantilizadas; “4 no Uta”, focada no instrumental e dona de alguns dos melhores riffs do álbum, com as vocalistas cantando pouco e sem muita variação de notas; e “Akumu no Rinbukyoku”, que faz as vezes de balada.

Este álbum causará impacto, pois, conforme dito acima, é uma combinação estranha e nova. A maioria dos metaleiros não está pronta para ouvir isso, muito menos para aprovar. Mas o grupo não está mais esperando pela aprovação deles, porque já está lotando shows, vendendo bem e figurando em paradas. De novo, não apenas por ter uma grande agência por trás, mas por ter realmente algo a mostrar.

Nota = 8,5. Excelente “estreia” (entre aspas, pois a maior parte das faixas já era conhecida) de um grupo realmente jovem. O único risco que corre é o de se tornar refém das lógicas de mercado, o que pode mudar seu som para pior ou então simplesmente por fim no grupo se seus empresários assim julgarem necessário. De qualquer forma, encerro aqui a resenha com uma verdade inconveniente para alguns: as Babymetal são mais headbangers que metade das bandas que temos por aí hoje.

Abaixo, o vídeo de “Megitsune”:

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Uma resposta para “Resenha: Babymetal – Babymetal

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