Resenha: Hydra – Within Temptation

Breve histórico: Within Tempation é um dos grupos-chave no chamado metal sinfônico, embora hoje eles economizem um pouco nas partes orquestrais. Constituídos de um sexteto de instrumentistas talentosos e uma vocalista dona de um canto belíssimo e disputado por metal operas e até por DJs eletrônicos, conquistou um sucesso comercial incomum para grupos do gênero.

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast)

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast)

Hydra é o sexto álbum do Within Temptation, e um marco em sua carreira. O trabalho é bastante experimental e a banda deixou claro em entrevistas que estava realmente buscando uma nova direção. O septeto abusou do conceito de “mente aberta”. O título vem de encontro com esta proposta: Hidra, a figura mitológica grega com muitas cabeças.

Abrindo com “Let Us Burn”, uma faixa com características reminiscentes do álbum anterior, The Unforgiving, Hydra é um disco surpreendente em alguns momentos, familiar em outros. Depois desta primeira faixa, vem uma sequência com três das quatro parcerias do disco.

A primeira, “Dangerous”, traz os vocais de Howard Jones (ex-Killswitch Engage, ex-Blood Has Been Shed), uma participação realmente especial por se tratar de um músico que vem lutando contra as complicações da sua diabetes. A dupla de vocalistas entrega um bom dueto, mas ele quase se ofusca por causa dos riffs matadores do trio Robert Westerholt, Ruud Jolie e Stefan Helleblad. A faixa fica ainda mais legal quando você assiste ao clipe dela, no qual a vocalista Sharon den Adel está mais bela do que nunca, e que contém partes gravadas no Rio de Janeiro, cidade sobre a qual o paraquedista norueguês Jokke Sommer faz manobras de tirar o fôlego, filmadas por câmeras acopladas ao seu traje.

Em seguida, a faixa mais experimental e “arriscada” do disco: “And We Run”, com o rapper – isso mesmo, rapper – Xzibit. Quem não for muito conservador admitirá que a combinação foi um tiro certo, ainda que alguns fãs certamente estejam prontos para arremessar pedras contra o grupo por recorrer a este tipo de parceria. Se levarem este dueto para os palcos, é capaz até de ocorrerem protestos.

A parceria com Tarja, “Paradise (What About Us?)” foi o primeiro single divulgado e tem características que lembram a própria carreira solo da vocalista. Por incrível que pareça, não é o ponto alto do disco, e isso é uma prova de que, mesmo quando duas das maiores vocalistas femininas da atualidade se juntam, o resultado não necessariamente fica próximo dos seus melhores momentos em suas carreiras individuais.

Fechando esta primeira metade do disco, temos “Edge of the World”. Serena em sua primeira metade, cede espaço mais tarde para as guitarras que irrompem em um impressionante trabalho com toques extremos.

A segunda metade do disco agradará a todos os fãs, por trazer uma sequência ininterrupta de faixas pesadas e diretas, com direito aos velhos guturais de Robert. Fecha esta metade e o disco regular a faixa quase-pop “Whole World is Watching”, com a participação de David Pirner (Soul Asylum) ou Piotr Rogucki (Coma) na versão polonesa do álbum.

O disco bônus traz alguns covers “estranhos” de artistas como Lana Del Ray e Enrique Iglesias. São 4 dos 15 covers preparados pela banda para um programa comemorativo de seus 15 anos na rádio belga Q-Music. 11 desses covers foram inclusive lançados em um álbum especial chamado The Q-Music Sessions. As outras quatro faixas consistem em “evolution tracks”, ou seja, vários trechos emendados das diferentes versões demo de cada faixa.

Apesar de estar totalmente dentro da proposta experimental do disco, manter os covers em um disco separado foi uma decisão inteligente, por fugirem bastante do estilo da banda, ainda que ela tenha conseguido deixar sua marca nas versões. Quanto às “evolution tracks”, elas ajudam a compreender, de fato, a evolução pela qual uma canção passa em seu processo de criação. Um item obrigatório para colecionadores, e um jeito interessante de aproximar do público o caminho percorrido por uma faixa.

Nota = 8. Por mais que o disco tenha dois ou três momentos que merecem revisão, o álbum pode ser descrito como um dos melhores da banda até hoje. Não que o experimentalismo seja uma novidade na carreira do grupo, mas nunca ele foi tão bem dosado. O que torna este disco bom não é o som apenas, mas todo o conjunto da obra: a música, o conceito, as letras, as inovações, a divulgação; enfim, todo um trabalho impecável de pré e pós produção.

Abaixo, o clipe de “Dangerous”:

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