Resenha: Poucos valeram por muitos em “The Winery Dogs”

Breve histórico: mais um supergrupo com a participação do baterista Mike Portnoy, The Winery Dogs inclui ainda o guitarrista/vocalista Richie Kotzen e o baixista/backing vocalista Billy Sheehan. Parece pouco, mas cada membro aí vale por três ou quatro – basta checar o currículo de cada um deles para perceber que seus talentos já deixaram marcas em várias obras musicais.

Reprodução da capa do álbum (© Victor Entertainment)

Reprodução da capa do álbum (© Victor Entertainment)

Com aquela boa e velha fórmula básica do rock (guitarra/vocal, baixo, bateria), o power trio lança um álbum de estreia autointitulado com 13 faixas e influenciado por “Led Zeppelin, Cream, Jimi Hendrix, Grand Funk Railroad, Soundgarden, Alice in Chains, Black Crowes e Lenny Kravitz”, segundo Mike. Uma mistura de elementos tão variados só poderia resultar em algo bem especial.

A primeira leva de músicas traz três faixas parecidas, duas das quais agraciadas com vídeos (também bem parecidos). Essa primeira parte é uma espécie de cartão de visita do grupo, e teve recepção positiva por parte dos fãs.

No decorrer da tracklist, The Winery Dogs começa a variar um pouco mais o clima das músicas. Baladas melódicas como “I’m no Angel” e “You Saved Me” misturam-se a grooves animados como “The Other Side” e “Not Hopeless” e mais faixas como as primeiras para garantir uma boa experiência auditiva.

Este supergrupo parece ter dado certo, mas não pela mistura de influências, e sim pela química dos membros. Vale lembrar que Richie e Billy não são perfeitos desconhecidos. Já tocaram juntos em dois álbuns do Mr. Big. E a adição de Mike Portnoy a esta combinação não tinha por que dar errado. O baterista já tocou em tantos projetos diferentes (dos mais leves aos mais agressivos) que é difícil imaginar algo no rock/metal que não dê certo com ele. Falar de suas qualidades a esta altura é chover no molhado. E não custa lembrar que The Winery Dogs soa bem diferente de Adrenaline Mob e Flying Colors, outros dois projetos recentes com a participação do baterista. Apesar de que a crueza do som e a formação econômica o deixa mais próximo do primeiro que do segundo.

Quanto à dupla nas cordas, de um lado, temos Richie e sua Fender Telecaster mandando riffs arranhados ou serenos, dependendo da música, mostrando toda a sua versatilidade. Se não se surpreender com o som, o fã vai certamente se surpreender ao descobrir que Richie dispensa palhetas na hora de tocar. É capaz de levar um show inteiro só com os dedos. Quando era vivo, Marcelo Fromer, dos Titãs, tentou fazer o mesmo uma vez e terminou com as mãos em carne viva, para se ter uma ideia de como a “gracinha” pode terminar mal. É curioso notar como em algumas passagens Richie soa como Dave Navarro (Jane’s Addiction, ex-Red Hot Chili Peppers).

Do outro lado, temos Billy Sheehan, que não se limitou a acompanhar a guitarra. Na verdade, em alguns momentos, como em “Desire”, ocorre o inverso, conforme Richie declarou ao Music Radar. Com riffs firmes e claramente audíveis, Billy chega a assumir o papel de solista em alguns momentos, além de duelar com a guitarra. A combinação explosiva dos dois instrumentos remete ao som de Rage Against the Machine em alguns momentos.

Logo de cara, o trio conseguiu criar um som próprio, que se identifica nos primeiros riffs. Destaque para “Desire”, “I’m no Angel”, “Not Hopeless” e o enceramento “Regret”, com Richie ao piano.

Nota = 8,5. A melhor característica de The Winery Dogs é a crueza do seu som. O álbum foi todo gravado “ao vivo”, por meio de jams, economizando nos overdubs. Das 13 faixas, 11 foram escritas a seis mãos. Já arrancou e continuará arrancando elogios dos fãs. Resta torcer para que Mike não deixe este projeto também, como deixou o Adrenaline Mob.

Abaixo, o vídeo de “Desire”:

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2 Respostas para “Resenha: Poucos valeram por muitos em “The Winery Dogs”

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