Resenha: Com “The Mystery of Time”, Avantasia ainda dá sinais de criatividade

O Avantasia é uma das metal operas mais bem sucedidas da história. Na estrada desde a virada do século, o projeto encabeçado pelo vocalista, baixista e tecladista alemão Tobias Sammet (que lidera também o quinteto de power metal Edguy) já lançou seis álbuns de estúdio e conseguiu fazer o que poucas rock/metal operas conseguem, devido à quantidade de músicos envolvidos: turnês. Aliás, são estas turnês que tornam o Avantasia um relativo sucesso comercial, algo raro em projetos do tipo.

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast Records)

Assim como The Scarecrow, The Mystery of Time é um trabalho bem compacto. É um álbum de apenas dez faixas (mais duas bônus) e “solteiro”, ou seja, desacompanhado de uma parte II (como nos Metal Opera) ou de um disco-gêmeo, como no caso de The Wicked Symphony e Angel of Babylon. Mas isto é totalmente compensado pela presença de uma orquestra. Pela primeira vez, Tobias convida um exército de músicos eruditos para acompanhá-lo na execução das peças avantasianas. No caso, são os membros da Deutsches Filmorchester Babelsberg (algo como “Orquestra de Filmes Alemã de Babelsberg”), a mesma que atuou em Hellfire Club, do Edguy.

A abertura “Spectres” lembra “The Wicked Symphony”, que também serviu de abertura, no caso, para o álbum homônimo, de 2010: orquestrada e marcada por um belo trabalho no vocal de Tobias, que divide espaço com o estadunidense Joe Lynn Turner. Logo em seguida, “The Watchmaker’s Dream” repete a fórmula Tobias+Turner, mas sem a orquestra. Aqui, o ponto alto fica nos solos: primeiro, a única e breve participação de Arjen Anthony Lucassen, multi-instrumentista holandês e mentor do Ayreon, que traz um solo inspirado e com toques de Lori Linstruth, seguido por outro solo, agora de órgão, por Miro, tecladista que acompanha o projeto desde o terceiro disco.

Em “Black Orchid”, a orquestra volta, e Tobias canta com Biff Byford, do Saxon – desnecessário dizer que o resultado foi bom. Em “Where Clock Hands Freeze”, o inconfundível Michael Kiske, que marcou presença em todos os discos do projeto, faz uma de suas melhores performances num CD do Avantasia.

“Sleepwalking”, lançada previamente como single, marca a única participação feminina do disco, na qual Tobias faz um dueto com Cloudy Yang. A balada, que ganhou um clipe ambientado numa bela floresta nevada, quebra um pouco o clima metal do disco e traz algo com um apelo mais hard rock, estilo com o qual Tobias gosta de flertar. Esta não é a única balada do disco: “What’s Left of Me” é mais pesada, mas ainda tem os toques emotivos, reforçados pelo trabalho da orquestra. Aqui, Tobias canta com nítida emoção, talvez para fazer jus à presença de Eric Martin, vocalista do Mr. Big, que faz aqui sua participação no disco.

O respiro de “Sleepwalking” logo dá lugar a “Savior in the Clockrwork”, a mais longa do disco, que combina os vocais de Turner, Byford, Kiske e Tobias, produzindo uma poderosa faixa. “Invoke the Machine” e “Dweller in a Dream”, separadas pela já mencionada “What’s Left of me”, são como “The Watchmaker’s Dream”: rápidas e cruas. A primeira já era conhecida dos fãs, por ter sido liberada previamente, e traz a participação de Ronnie Atkins, do grupo holandês Pretty Maids.

Fechando o álbum, “The Great Mystery”, com Tobias, Turner, Byford e Bob Catley, fazendo aqui sua única participação no disco. Como que sintetizando o disco, a faixa combina o peso das faixas mais power metal com a orquestração das mais sinfônicas e a emoção das baladas.

Não há muito o que reclamar do disco, mesmo sendo uma proposta nitidamente menos ambiciosa que os trabalhos anteriores. Destaque para “Spectres”, “The Watchmaker’s Dream”, “Black Orchid” e “What’s Left of Me”. Vale lembrar os outros músicos que participaram do disco: além dos veteranos Sascha Paeth (guitarra base e produção), Oliver Hartmann (guitarra solo) e Miro (teclados); Tobias também convidou Russell Gilbrook, do Uriah Heep, para assumir as baquetas; e o guitarrista Bruce Kulick, do Grand Funk Railroad, para alguns solos.

Nota = 8,0. Como dito anteriormente, o disco é menos ambicioso que seus predecessores. Contudo, dentro das possibilidades (10 faixas, a maioria curta, preenchidas pelo trabalho de menos músicos convidados que o usual), Tobias conseguiu fazer mais um bom trabalho, mostrando que o Avantasia ainda tem fôlego para mais álbums.

Abaixo, o vídeo de “Sleepwalking”:

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