Resenha: Stratovarius supera a sua própria média com “Nemesis”

Breve histórico: Com quase 30 anos de estrada, o Stratovarius divide com o Helloween e um punhado de outros grupos o posto de maior banda de power metal da história, estilo dos quais eles são, se não fundadores, um dos que mais ajudaram a formatá-lo.

Reprodução da capa do álbum (© Edel AG)

Reprodução da capa do álbum (© Edel AG)

Nemesis é o tipo de disco que agrada antes mesmo de ser aberto: pela terceira vez consecutiva, um álbum do Stratovarius ganha uma capa belíssima, visualmente rica e bem trabalhada, que muitos compararam com uma imagem de video-game – algo mais tarde endossado pelo tecladista Jens Johansson em entrevista à rádio francesa RockOne.

Um dos críticos que tiveram acesso prévio ao álbum afirmou que este era o melhor do Stratovarius em anos. Pode até ter uma certa dose de exagero aí (especialmente para um disco que sucede Elysium, outro grande álbum do grupo), mas, de fato, o trabalho fica acima da média.

Nemesis começa bem: “Abandon” traz uma introdução breve que logo dá lugar a uma canção agressiva marcada por um bom duelo entre o guitarrista Matias Kupiainen e seu colega Jens.

No resto da primeira metade do álbum, a banda parece tentar manter este nível, mas perdeu o fôlego logo na segunda música, “Unbreakable”. Liberada já há algum tempo, a faixa que foi lançada como single é bem comercial e certamente o ponto mais fraco do disco. “Halcyon Days”, outra faixa liberada antecipadamente, agradou mais, por ser mais a cara do Stratovarius – ou quase. A música é temperada com um riff eletrônico nos teclados que pode causar estranhamento, apesar de Jens já fazer uso disso há algum tempo. O seu solo, inclusive, é bastante moderno e futurista. É um tipo de som do qual ele ainda abusará bastante na obra.

“Stand My Ground” é uma típica faixa stratovariana, com o vocalista Timo Kotipelto defendendo pela enésima vez o direito de ter suas crenças particulares e garantindo que não vai abandoná-las independentemente das tentativas alheias de persuadi-lo. Ganha pontos pelo refrão épico mas perde pelo clichê. “Fantasy” segue uma filosofia não muito diferente em sua letra e é a única composição de Lauri Porra na edição regular do disco, o que pode ser percebido pelo baixo proeminente.

“Out of the Fog” e “If the Story Is Over” foram coescritas por Jani Liimatainen, ex-guitarrista do Sonata Arctica que já trabalhou com Timo no grupo Cain’s Offering e mais recentemente no álbum Blackoustic. As duas são bem diferentes: uma é agressiva, e a outra, melódica. Mas ambas são bem fortes e mostram a riqueza resultante das parcerias entre membros (ou ex-membros) dos dois maiores grupos de power metal da Finlândia.

“Castles in the Air” e “Dragons” são marcadas por um trabalho intenso aos teclados – não por acaso, Jens é o autor das faixas. E não é só ele que se destaca aqui: os riffs, as linhas de bateria e os vocais estão todos bem trabalhados para se equiparar às teclas. O disco chega aqui ao seu ponto alto, numa escalada que começou nas parcerias com Jani.

Fechando a obra, temos a faixa-título, que de certa forma resume tudo o que a banda fez no disco.

Sobre Rolf Pilve? Bom, a sua entrada não mudou praticamente nada. Na verdade, o fã vai demorar a se lembrar que eles trocaram de baterista, pois tanto ele quanto o antigo dono das baquetas Jörg Michael trabalham com o mesmo estilo e tocam de igual para igual. Na verdade, é o guitarrista Matias que se destaca, dando pela terceira vez um duro e certeiro tapa na cara das viúvas do ex-guitarrista Timo Tolkki – que, aliás, também elogiou o disco.

Nemesis é um daqueles álbuns que começam bem e vão esquentando, como se o grupo evoluísse ao longo das músicas. Ficará marcado não como o melhor disco deles, mas como um dos mais concisos, maduros e importantes, na medida em que consolida o quinteto como lenda do power metal ao mesmo tempo em que mostra que a banda é capaz de se reinventar.

Nota = 8,0. Musicalmente falando, a principal característica do disco é a presença de elementos eletrônicos – uma forma moderna que o grupo encontrou para continuar produzindo power metal de qualidade sem cair na mesmice da qual o gênero sofre. O disco tem faixas que variam de curtas a médias, tendo a mais curta pouco mais de quatro minutos e a mais longa quase sete. Uma pena que não haja nenhuma faixa realmente longa. Não que isso seja um item obrigatório, mas eles já mostraram com “Infinity”, “Visions” e principalmente “Elysium” que sabem como criar algo longo e não-enjoativo.

Abaixo, o vídeo do single “Halcyon Days”:

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3 Respostas para “Resenha: Stratovarius supera a sua própria média com “Nemesis”

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