Resenha: Trick or Treat segue misturando metal e contos em “Rabbits’ Hill Pt. 1”

Breve histórico: O Trick or Treat é uma banda italiana de power metal que começou fazendo covers do Helloween – e isto fica evidente só de se ouvir uma ou duas músicas deles. Elas são bastante influenciadas pelo quinteto alemão. Mas isso não faz do Trick or Treat uma cópia do Helloween – o que seria um tiro no pé em tempos em que o power metal já está tão saturado que chega a doer nos ouvidos.

Reprodução da capa do álbum ((© Valery Records)

Com Rabbits’ Hill Pt. 1, os italianos conseguiram um trabalho um pouco mais sombrio musicalmente (mas bem pouco mesmo), embora ainda mantendo as letras fantasiosas. Mas não são as fantasias típicas do power metal (ou “melódico”), aquelas que envolvem dragões e cavaleiros. Na verdade, o álbum é conceitual, baseado em Watership Down, obra do escritor inglês Richard Adams traduzida como A Longa Jornada para o português. O livro conta a história de um grupo de coelhinhos que abandona sua toca quando ela é destruída e parte em busca de um novo lar, enfrentando perigos no caminho. Perece uma ideia infantil, mas é bem atual e séria, se analisarmos com cuidado. Na verdade, a temática meio “conto de fadas” combina muito com o grupo, que costuma fazer alusões a brinquedos, contos e outros temas infantis em seus trabalhos – aliás, essa é uma das características que torna o Trick or Treat uma banda muito interessante.

O álbum já abre agradando a nós, brasileiros: a primeira faixa, “Prince with a 1000 Enemies” (descontando a curta introdução “Dawn of Times”) conta com ninguém menos que Andre Matos nos vocais, dividindo espaço com o vocalista Alessandro Conti. Uma faixa extra do álbum traz essa mesma música apenas com Andre. E para quem pensa que este será um álbum puramente power metal, abusando de clichês, as exceções começam a surgir logo na terceira faixa, “Spring in the Warren”, que serve de introdução para “Premonition” e é bem leve, sem guitarras, lembrando um pouco o som celta dos brasileiros do Tuatha de Danann, ainda que sem sopros. Há outras faixas peculiares, como “The Tale of Rowsby Woof”, que traz uma gaita de foles (ainda que esse instrumento já seja tão usado no heavy metal atualmente que ninguém mais estranha o seu som agudo irrompendo em meio às guitarras). Já “SassoSpasso”, que também faz papel de introdução, desta vez para “I’ll Come Back for You”, é puro jazz.

O álbum também está bem diverso em termos de “temperatura” das músicas. Algumas são mais lentas e poderosas, como “Premonition”, que é guiada por um riff agressivo, quase progressivo nas guitarras de Guido Benedetti e Luca Cabri; e “Bright Eyes”, a balada do disco. Outras são mais rápidas e típicas, como “Prince with a 1000 Enemies”, “Wrong Turn” e a faixa-título. E há também as que ficam num meio-termo “morno”, como “False Paradise” e “Between Anger and Tears”.

Nota = 8,0. Se você é fã de Helloween e ainda não conhece a banda, ou conhece mas não procurou ouvir este álbum, não deixe de fazê-lo – no mínimo, você enganará o estômago – ou melhor, os ouvidos – até que Straight Out of Hell, o novo álbum dos alemães, seja lançado em janeiro.

Abaixo, a faixa-título:

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