Resenha: Após uma década sem inéditas, Aerosmith volta renovado em Music from Another Dimension

O Aerosmith dispensa apresentações. É um dos pioneiros do hard rock e de longe uma das bandas mais bem-sucedidas no estilo. Ainda na ativa, o grupo vendeu mais de 150 milhões de cópias mundo afora numa carreira que já dura mais de 40 anos e que viu seus membros se arriscarem em outras aventuras, como os álbuns solos do guitarrista Joe Perry e as atuações e participações especiais de Steven Tyler.

Reprodução da capa do álbum (© Columbia Records)

Reprodução da capa do álbum (© Columbia Records)

Não dá para falar de Music from Another Dimension! sem falar do contexto. Afinal, oito anos separam este e o último álbum de estúdio, Honkin’ on Bobo. Se levarmos em consideração apenas álbuns de inéditas, a distância cronológica aumenta para onze anos. Este período foi marcado por vários conflitos internos, a maioria centrada no vocalista Steven Tyler, que chegou a quase sair do grupo (a ponto dos colegas de banda começarem a procurar um substituto). Sem falar nos inúmeros atrasos que o álbum sofreu, a despeito de notícias de que a banda estaria trabalhando duro nele. Com tudo isso em mente, não é exagero dizer que Music from Another Dimension! é uma espécie de Chinese Democracy da Costa Leste estadunidense.

Mas voltemos a falar do disco no seu aspecto musical. Conforme prometido pela banda e pela crítica que já teve acesso às faixas, Music from Another Dimension! é um álbum “de volta às raízes”, mas sem perder a pegada moderna que a banda vem mostrando há alguns anos. A energia do disco é surpreendente para um grupo de sessentões, deixando muitas bandas jovens com um ar meio cansado.

Quem ajuda o quinteto a produzir tal som é o time de músicos convidados, que inclui o tecladista Russ Irwin (que já trabalha com a banda há mais de uma década), o vocalista Julian Lennon (filho do falecido ex-beatle John Lennon) e até o ator Johnny Depp, que faz vocais de apoio em “Freedom Fighter”.

O resultado de tantos anos de trabalho, atrasos, crises, shows, turnês, convidados e tudo o que ainda for necessário na receita de um álbum de uma grande banda é uma obra cujo título nada tem a ver com seu conteúdo: A música não é nada de outra dimensão. Na verdade, tudo não passa de um bom e velho hard rock com temperos modernos. Em outras palavras, este é um álbum para agradar tanto os fãs da fase antiga quanto os admiradores do Aerosmith moderno.

O golaço que o Aerosmith marcou com este álbum foi mostrar o quanto é possível variar sem sair do gênero do hard rock. Há espaço para as baladas (“What Could Have Been Love”, uma das que foram liberadas previamente; e “Can’t Stop Loving You”, um dueto pegajoso com a cantora Carrie Underwood), as “moderninhas” (a abertura “LUV XXX” e o single “Legendary Child”, que é uma regravação de uma canção tocada em 1991 para o Get a Grip, mas que no fim acabou não sendo utilizada, e que ganha aqui um vídeo bastante produzido) e as saudosistas (“Out Go the Lights”, “Street Jesus” e “Something”, uma das melhores, que traz o guitarrista Joe Perry nos vocais e o vocalista Steven Tyler na bateria).

Vale lembrar que o som do álbum não foi nem será surpresa para nenhum fã: Quem ficou ligado nas notícias do álbum acompanhou o lançamento de quase um terço de suas músicas em doses homeopáticas. Algumas saíram oficialmente, outras não-oficialmente (leia-se “vazadas”). Serviu ao menos para garantir que a banda estava realmente trabalhando em estúdio, e que o trabalho não seria novamente adiado.

Nota = 9,0. Com Music from Another Dimension, o Aerosmith venceu três desafios que costumam surgir no caminho de bandas no nível deles: Mostrar que ainda tem muito o que tocar; trazer toques novos para uma velha estrutura e lançar um trabalho que provavelmente agradará à maioria de seus milhões de fãs. Sempre terá um admirador mais radical para criticar e desdenhar, mas é certo que no mínimo uma parcela bastante significativa tirará o chapéu para a obra.

Abaixo, o vídeo do single “Legendary Child”:

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