ENEM o Mackenzie escapou.

Estudantes universitários se reúnem para uma manifestação. A polícia intervém. Mais um protesto na USP? Não, o episódio ocorreu um pouco mais para a direita no mapa (e no obsoleto espectro político, para alguns), na região da Consolação, para ser exato. Um remake da Batalha da Maria Antônia? Não, só uma universidade estava diretamente envolvida.

Ninguém imaginaria que estudantes da Universidade Presbiteriana Mackenzie se aglomerariam em plena Consolação para protestar. Mas aconteceu. O que os motivou? A decisão do reitor de adotar o ENEM como forma de ingresso na faculdade. Bastou isso para apitos, faixas e narizes de palhaço desfilarem nos arredores da instituição.

Uma das poucas semelhanças deste episódio com os protestos da USP no final do ano passado foram as reações patéticas de quem estava fora da tempestade. Desde o episódio citado no início do texto, ocorrido em 1968, o estudante mackenzista virou uma espécie de persona non grata para outros universitários que se consideram Shamashs da política. Felizmente para o mackenzista, a mídia esteve ao seu lado, divulgando com certo alarde fotos como a que retrata um estudante levando um jato de spray de pimenta no rosto, enquanto que a cobertura dos protestos da USP foi, no mínimo, caricata. Mesmo assim, nem o Mackenzie escapou de julgamentos precipitados e vazios.

Se, na USP, os estudantes foram reduzidos a “vândalos maconheiros com roupas de marca querendo atenção e o direito de fumar sossegados sem a interferência da malvada polícia”, no Mackenzie, a ladainha ficou em torno de “esses mackenzistas são um bando de direitistas, filhinhos de papai, folgados, mimados, que não querem o ENEM porque são contra negros e pobres na universidade”. É um pensamento tão lógico quanto “a formiga caminhou até as nuvens porque a Rússia fica na África”. Mas a esquerda gosta do irracional, do utópico, do entorpecido, então para quê lógica se eu posso falar um monte de asneiras e conquistar aplausos em uma assembleia estudantil e “curtidas” no Facebook para inflar meu ego? É uma estratégia tão simples e eficiente que até a direita adota quando conveniente.

Não há erro nenhum em defender tradição e valor de um diploma, especialmente quando se paga mensalidades abusivas para obtê-lo. O erro está em julgar a validade do ENEM enquanto instrumento de seleção, como se o vestibular não fosse menos eficiente, na medida em que cobra uma simples memorização e assimilação de conteúdos desnecessários para a formação de um cidadão (se duvida, olhe à sua volta durante uma aula na faculdade e pergunte-se se todas aquelas pessoas merecem estar ali simplesmente por terem ido bem em uma prova quase totalmente incoerente com o curso escolhido).

Mas quem tem errado feio são os que apontam seus dedos (sujos) aos manifestantes e os acusam de racismo, elitismo, etc. Racismo virou para alguns esquerdistas o mesmo que a palavra “tipo” virou para o brasileiro comum: encaixe-a em qualquer frase toda vez que um termo mais apropriado lhe fugir à cabeça. E, com isso, eles destruíram o sentido real do termo, atrapalhando a própria luta que apoiam. Já vi muitos dizendo que não há negros no MACK porque a instituição é racista. A lógica provavelmente é aplicada a outras universidades, inclusive a minha. Só que ela não faz o menor sentido. Como dito acima, o vestibular seleciona apenas os que decoraram mais informações, só isso. Ele não pergunta a etnia do candidato, quer saber apenas se ele memorizou tudo do jeito que o professor ensinou em suas aulas do Ensino Médio. Se os negros têm acesso a uma educação que os permita competir com os brancos em um exame desses, é outra história que não abordarei aqui.

O post acima em poucas palavras: Na minha universidade, existe uma frase pintada em várias paredes: “odeia a mídia? seja a mídia.”. É mais ou menos assim: “Não gosta do que vê? Faça melhor”. Os antimackenzie não gostaram do que viram durante as manifestações uspianas – e não estão fazendo melhor agora.

Ao som de Michael Romeo.

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