Resenha: “Imaginaerum” é simplesmente fantástico.

Breve histórico: com sete álbuns lançados, o Nightwish é uma das principais bandas ativas de heavy metal e o maior expoente da vertente power metal/metal sinfônico. Responsável por quase todas as músicas do grupo, o tecladista e fundador Tuomas Holopainen decidiu se arriscar no campo do cinema com o filme Imaginaerum, que foi produzido paralelamente ao álbum homônimo do grupo, analisado abaixo.

Reprodução da capa do álbum (© Nuclear Blast, Roadrunner Records)

O processo de produção de Imaginaerum, que resultou na filmagem até de um filme, foi acompanhado de perto por fãs ansiosos para saber o que Tuomas andou preparando nos últimos anos de trabalho. Mas os metaleiros estavam curiosos também para saber da evolução musical do grupo, em especial a da vocalista Anette Olzon, cuja performance no álbum anterior, Dark Passion Play, dividiu opiniões.

Agora vamos ao que realmente interessa: o resultado de mais de dois anos de trabalho é difícil de engolir. Não porque é ruim, muito pelo contrário: a grandiosidade da obra chega a tirar o fôlego de quem a ouve. Só os samples de meio minuto liberados recentemente já estavam excitando fãs pelo mundo afora. A qualidade e diversidade do álbum é tanta que este merece um comentário faixa-a-faixa.

Imaginaerum abre com “Taikatalvi” (inverno em finlandês, língua nativa da maior parte do grupo) uma canção leve, no clima de “The Islander” do Dark Passion Play, cujo final emenda no single “Storytime”, um trabalho mais comercial que a banda já havia revelado há algumas semanas ao mesmo tempo que um vídeo com imagens dos bastidores do filme (veja abaixo).

Mas o álbum começa mesmo é em “Ghost River”, uma música “básica”, com os elementos que marcam o som do Nightwish: orquestra, peso e vocais divididos entre a doce Anette e o feroz Marco Hietala (que também toca baixo no quinteto).

A primeira surpresa é “Slow, Love, Slow”. Tuomas conseguiu aqui dar toques de jazz e R&B em uma canção essencialmente sinfônica com um certo peso na segunda metade. Parece difícil imaginar algo assim – mais difícil ainda deve ter sido compor. Mas o resultado foi positivo.

A próxima é “I Want My Tears Back”, com uma gaita de foles tocada por Troy Donockley (o mesmo que tocou em “Last of the Wilds” do Dark Passion Play). O ritmo da canção beira a alegria do metal céltico que andou fazendo sucesso na Europa nos últimos anos. O duelo de Troy com a guitarra de Erno “Emppu” Vuorinen chega a fazer “Last of the Wilds” perder a graça.

“Scaretale” é a sexta faixa, e uma prova definitiva da qualidade da vocalista que a banda escolheu para substituir Tarja Turunen. Os viúvos da Tarja podem chorar e espernear à vontade, mas não podem mudar um fato: O Nightwish anda muito bem, obrigado. Divertida, a canção tem uma passagem bem alegre, num jeitão de desenho infantil/video game, que mostra a diversidade de temas que o grupo está explorando para o álbum/filme.

O fim de “Scaretale” emenda na segunda surpresa de Imaginaerum: a instrumental “Arabesque”. Como o nome sugere, a faixa tem uma pegada de música típica do oriente médio, a primeira aventura do grupo nessa área, que mostrou-se muito bem sucedida, chegando ao nível de bandas especializadas no gênero, como Amaseffer e Myrath.

“Turn Loose the Mermaids” é bonita, lenta, sem guitarras e mostra-se mais um golpe no orgulho dos viúvos da Tarja. Já “Rest Calm” não tem nada de calma: traz um dos riffs mais agressivos do álbum, intercalado com um refrão relativamente leve. “The Crow, the Owl and the Dove” apresenta uma terceira surpresa: a contribuição de Troy nos vocais, que dá um toque de unicidade à faixa (embora “Song of Myself” também tenha a participação dele como vocalista). “Last Ride of the Day” não acrescenta muito ao álbum, mas mantém a alta qualidade demonstrada até agora.

“Song of Myself”, por ser a mais longa de todas (mais de 13 minutos), é uma das mais aguardadas. Ela não está no mesmo patamar que “Ghost Love Score” ou “The Poet and the Pendulum”, é verdade. O motivo talvez seja o fato de metade da faixa ser uma série de versos declarados com certa emoção teatral e acompanhados por um instrumental constante e cinematográfico. Por outro lado, é provável que, no filme, a passagem correspondente a esta parte do enredo seja uma das mais emocionantes, afinal, é a última.

A faixa título, instrumental, foi a escolhida para fechar o álbum, e nitidamente não foi uma decisão aleatória: Por pouco mais de seis minutos, uma orquestra reprisa os riffs principais do álbum. Uma das duas únicas faixas que não foi composta exclusivamente por Tuomas (a outra é “The Crow, the Owl and the Dove”, feita com Marco), a música que foi concebida para ser tocada durante os créditos do filme foi composta por Pip Williams, produtor que desde o Once lida com as partes orquestrais dos álbuns do Nightwish e para quem Tuomas deu o aval para mexer livremente nos arranjos.

Nota = 9,5. Sem dúvidas, uma nova era para o Nightwish. Talvez ainda seja cedo para dar ao Imaginaerum o título de melhor disco do grupo finlandês, mas o trabalho será lembrado daqui a anos como uma produção excelente e um trabalho impecável dos músicos envolvidos. Resta agora esperar pelo filme. E esperar também que a criatividade de Tuomas não tenha acabado aqui.

Abaixo, o vídeo do single “Storytime”:

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4 Respostas para “Resenha: “Imaginaerum” é simplesmente fantástico.

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