Resenha de “Viagens com o Presidente”, de Eduardo Scolese e Leonencio Nossa

Reprodução da capa do livro (© Editora Record)


Quando ligamos a televisão, abrimos os jornais, acessamos os sites de notícias e sintonizamos os rádios, ficamos sabendo das últimas ações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Lula disse isso, Lula anunciou aquilo. Lula fez isso, Lula inaugurou aquilo. Mas e as partes que as câmeras, gravadores, microfones e bloquinhos de anotação não registram, ou, se registram, ficam guardadas para os jornalistas apenas? Mostrar os bastidores da imprensa, das viagens do petista, das suas comitivas, os comentários que não foram divulgados na mídia – a isso se propõe a obra Viagens com o Presidente – Dois repórteres no encalço de Lula do Planalto ao exterior, de Eduardo Scolese e Leonencio Nossa, repórteres das sucursais de Brasília da Folha de S.Paulo e d’O Estado de S. Paulo, respectivamente.

Escrito com anotações que vão desde a posse de Lula em 2003 até abril de 2006, meses depois do escândalo do Mensalão, o livro mostra o nosso presidente durante o seu primeiro mandato de um jeito que poucos viram. Balanceia o lado humano e pessoal do ex-operário com o seu lado formal e político, o mais destacado pela mídia. Revela comentários e desabafos que não foram parar nas páginas dos jornais, como quando chegou ao Palácio da Alvorada e lamentou o clima frio do local, em oposição ao calor das greves e manifestações operárias dos seus tempos de metalúrgico, ou quando disse à então ministra do Meio Ambiente Marina Silva que “essa coisa de meio ambiente é igual a um exame de próstata: não dá pra ficar virgem toda a vida. Uma hora eles vão ter que enfiar o dedo no cú da gente. Então, companheira, se é pra enfiar, é melhor que enfiem logo”.

Como o nome sugere, a trajetória de Lula fora de Brasília foi o enfoque do trabalho dos dois repórteres. Há registros de viagens de Lula pelo território nacional, para inaugurar obras e aproximar-se da população, e ao exterior, por um sem-número de países com os quais o Brasil mantém relações bilaterais. As visitas constantes a países africanos, algo deixado de lado em governos anteriores, ganhou destaque no livro.

Os bastidores do governo também não foram ignorados. Até os codinomes utilizados pelo time de segurança do presidente foram registrados na obra. Os militares que protegem Lula referem-se a ele como “Tigre”, “Leão”, “Pantera”, “Saturno” e até “Eclipse”. Já a primeira-dama Marisa Letícia é chamada de “Estrela” ou “Damasco”. Para os profissionais da imprensa, sobrou a alcunha de “Besouros” ou outros insetos e animais pequenos. As páginas mostram comentários informais e até broncas do presidente dirigidas a funcionários em geral, como assessores e ajudantes de ordens.

Para ilustrar o livro, várias fotos do presidente em suas incontáveis viagens foram intercaladas com os textos. Além disso, há gráficos e mapas mostrando quando e quantas vezes Lula viajou para os estados do Brasil e os países do mundo. Curiosamente, até as últimas anotações do livro, Lula só não havia visitado o estado de Roraima. Este só foi receber o presidente pela primeira vez em setembro de 2009.

PS: Essa resenha será publicada em janeiro de 2011 na edição 69 do Contraponto, jornal laboratorial do curso de jornalismo da PUC-SP. Essa edição, como toda edição de fim de ano, será especial porque trata de um único tema (O Brasil pós-Lula, no caso) e vem com mais páginas que as comuns. O jornal é distribuído por toda a PUC e também por outras faculdades de São Paulo e algumas redações da grande imprensa. Em breve, ele terá uma versão online. Aguardem!

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