Resenha: “Chickenfoot III” revive, novamente, o hard rock das antigas

Breve histórico: Chickenfoot é um dos chamados “supergrupos” da atualidade. E o rótulo não é exagerado, pois o quarteto conta com uma formação de muito peso: Sammy Hagar (ex-Van Halen) nos vocais, Joe Satriani nas guitarras e no teclado, Michael Anthony (ex-Van Halen) no baixo e Chad Smith (Red Hot Chili Peppers) na bateria. Formada no ano retrasado, a banda chega ao segundo semestre de 2011 com seu segundo álbum, ironicamente batizado de Chickenfoot III.

Reprodução da capa do álbum (© eOne Music)

Poucas bandas atualmente se atrevem a reproduzir sons das antigas. Menos numerosas ainda são as que conseguem exposição razoável na mídia com isso. O Chickenfoot é uma delas, embora isso se deva principalmente ao fato de todos os seus membros já contarem com uma vasta experiência e uma sólida reputação no meio musical construídas antes da fundação do projeto. Após estrear com sucesso há dois anos, o quarteto volta com Chickenfoot III e repete a fórmula do disco anterior, que trazia de volta o tradicional som do rock dos anos 70/80.

Seja em músicas mais pesadas (“Up Next” e “Lighten Up”) ou mais emotivas (“Come Closer” e “Three and a Half Letters”), os quatro rockeiros vão jogando para o ouvinte uma série de canções do mais puro, maduro e bem trabalhado hard rock, ganhando a atenção daqueles que consideravam o rock um estilo morto.

Não houve muita evolução de um álbum pro outro, mas considerando o talento e a biografia dos componentes da banda, não se deve desprezar o disco só por ser um som com gosto de “já ouvi isso antes”.

Nota = 8,0. Banda boa, com músicos bons e produção boa são garantia de um álbum bom. Chickenfoot III é uma produção que vale a pena ser incluída na biblioteca musical dos rockeiros das antigas. Destaque para o single “Big Foot”; a “Three and a Half Letters”, cuja letra é mais falada do que cantada; e “Come Closer”.

Abaixo, o vídeo de “Three and a Half Letters”:

Resenha: Josh Klinghoffer faz boa estreia em novo álbum do Red Hot Chili Peppers

Breve histórico: Red Hot Chili Peppers dispensa apresentações. São um dos maiores e mais bem-sucedidos conjuntos da atualidade. Criadores de um som único no mundo do rock, a banda sempre fez música apoiada na voz carismática do vocalista Anthony Kiedis e nas linhas criativas do baixista Flea, trocando diversas vezes de guitarrista e baterista até chegar na formação atual, que conta com Chad Smith nas baquetas e o novíssimo guitarrista Josh Kinghoffer, que vem substituir John Frusciante, músico presente em quase todos os álbuns do grupo em sua fase mais recente.

Reprodução da capa (© Warner Bros.)

Um bom tempo após lançarem o maduro e sofisticado Stadium Arcadium, o Red Hot Chili Peppers volta com seu décimo álbum, I’m with You. A maior novidade, sem sombra de dúvidas, é Josh Klinghoffer, guitarrista escolhido para entrar no lugar de John Frusciante. E o leitor pode ter certeza de que a escolha não foi precipitada.

O grupo não abandonou o seu som único, característico, nem deixou de usar alguns elementos presentes no álbum anterior, mas a troca de guitarristas é perceptível. Josh deixou sua marca no som da banda, sem piorar nem melhorar o que John vinha fazendo. Simplesmente cumpriu o seu papel e tranquilizou milhares de fãs exaltados com a saída de John. A cobrança do público provavelmente deve ter sido uma pressão e tanto para o caçula do grupo (Josh é quase 20 anos mais jovem que seus colegas de banda), mas o músico passou pelo teste, pelo menos até agora.

Apesar da diferença marcante na guitarra, o som em geral da banda não sofreu nenhuma mudança extrema com relação ao Stadium Arcadium. A maturidade e as melodias estão de volta, mas percebe-se mesmo assim uma certa evolução, que vai além da substituição de John. Em faixas como “Factory of Faith”, “Ethiopia” e “Dance, Dance, Dance” é possível ouvir alguns toques de Josh, enquanto que em outras, como “Even You Brutus” e “Meet Me at the Corner”, percebe-se um som novo, trabalhado.

O álbum é diverso e ao mesmo tempo constante. Sem surpresas e com pouca repetição. Há faixas Red Hot Chili Pepperianas como “Ethiopia”, emotivas como “Brendan’s Death Song” e inovadoras como “Look Around”, “Goodbye Hooray” e “Happiness Loves Company” (na qual o piano tem destaque, algo raro no repertório do grupo).

Nota = 7,5. O álbum não foi de menor qualidade que o Stadium Arcadium, como previam alguns, e a mudança das guitarras não estragou o som deles como temiam outros. Não é uma super produção nem nada que seja lembrado no futuro como um dos melhores álbuns da banda, mas atendeu às expectativas daqueles que fizeram o Red Hot Chili Peppers atingir a respeitável marca de 65 milhões de cópias vendidas.

Abaixo, a faixa “Happiness Loves Company”, uma das melhores do disco: